sábado, 20 de novembro de 2010

O imortal

Perdido na bruma esperando socorro.
Chamando aos prantos o belo anjo salvador.
Que libertaria meu coração do gelo que o aprisiona.
E um dia apareceu, como uma epifania.
Com asas negras que me envolviam ao sussurrar-me ao ouvido.
- Vá dormir, pois os imortais morreram jovens.
E sem resistência me entreguei ao sono eterno.
Deixando tudo pra trás, sem dor ou mágoa.
Eu fui voar, eu fui ser livre,eu fui ser...imortal.

Le trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

sábado, 23 de outubro de 2010

Anjo de vidro

Um anjo de vidro, o coração de gelo, inquebrantável.
Disposto num altar de pedra, longe dos olhos de todos.
Cantando aos quatro ventos, a canção do anjo maculado.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Lágrimas de carpideira.

Foi quando lágrimas irromperam dos seus olhos e escorreram pelas faces angelicais, mas eram falsas e desprovidas de emoção, lágrimas de carpideira, prateando uma tristeza inexistente.
E naquele instante duas coisas ficaram óbvias pra mim, a primeira era que o encanto que a permitia manipular-me durante todo esse tempo estava quebrado, e a segunda era que eu desejava ardentemente que não estivesse.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

segunda-feira, 13 de setembro de 2010


Cena do filme "As horas" que retrata o suicídio de Virginia Woolf

Virginia Woolf (Londres, 25 de Janeiro de 1882 — Lewes, 28 de Março de 1941) foi uma das mais importantes escritoras britânicas. Estreou na literatura em 1915 com um romance (The Voyage Out) e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de “a Proust inglesa”. Faleceu em 1941, tendo cometido suicídio.
Abaixo a carta endereçada ao seu esposo, Leonard Woolf:

"Querido, Tenho certeza de estar ficando louca novamente. Sinto que não conseguiremos passar por novos tempos difíceis. E não quero revivê-los.
Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Portanto, estou fazendo o que me parece ser o melhor a se fazer. Você me deu muitas possibilidades de ser feliz. Você esteve presente como nenhum outro. Não creio que duas pessoas possam ser felizes convivendo com esta doença terrível. Não posso mais lutar. Sei que estarei tirando um peso de suas costas, pois, sem mim, você poderá trabalhar. E você vai, eu sei. Você vê, não consigo sequer escrever. Nem ler. Enfim, o que quero dizer é que depositei em você toda minha felicidade.
Você sempre foi paciente comigo e realmente bom. Eu queria dizer isto - todos sabem. Se alguém pudesse me salvar, este alguém seria você. Tudo se foi para mim mas o que ficará é a certeza da sua bondade. Não posso atrapalhar sua vida. Não mais.

Não acredito que duas pessoas poderiam ter sido tão felizes quanto nós fomos."

VIRGINIA WOOLF.

sábado, 11 de setembro de 2010

Maçã de Eva

Para ti serei um anjo
E os espelhos serão meus cúmplices
Mostrando-te o que quero que vejas em mim
O veneno de minhas doces palavras
Para ti será como mel
E então te ofereço meu amor
Que será como a maçã de Eva
Que vai fazer-te cair do Paraíso.
Então entenderás o meu jogo
E estarás destinado a viver em agonia
Pois sei que continuarás me amando
Mesmo no silêncio do meu abandono

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

Estrela da Manhã

O mais belo de todos os anjos.
Homenageado pela estrela da manhã.
O anjo que caiu por amar demais.
Gravemente ferido por quem mais amava.
Traído por Irmãos
O anjo que por pensar foi condenado ao sofrimento
Que por questionar foi rejeitado por quem mais amava
E até hoje vaga, chorando, Sem poder retornar ao lar.
E sobre ele a estrela da manhã ainda brilha.
Pela memória do belo anjo que por amar caiu dos céus.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

O Coração

Frases de amor que ela nuunca dirá à ninguém.
Beijos sussurrados no escuro.
Em meio a uma torrente de lágrimas.
Que lava do coração toda a dor causada por ele.
Tudo o que eles tinham, agora se resume apenas à memórias corrompidas.
Ela se pergunta se o que lembra é real.
Se as juras e promessas foram realmente ditas.
Tenta lembrar-se do rosto dele.
Que não a visita mais nos sonhos.
E o vazio em seu peito começa a esquecer o real motivo da sua existência.
E então tudo aquilo esvanece no ar.
Como as cinzas de seu diário queimado.
O cúmplice morto e enterrado.
Ela nem sabe mais porquê chora toda noite.
Nem que o motivo dela sofrer tanto é que embora a cabeça o tenha esquecido.
O coração,infelizmente, tem boa memória.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

Olhos negros

E você pergunta pela nova cor dos meus olhos.
Negros como uma noite sem lua.
Olhos que juraram pela noite que te conduziriam ao teu fim
Olhos que querem ver tudo que você ama virar pó
Olhos que querem estar por perto quando teu castelo de cartas ruir
Olhos que querem dilacerar-lhe a carne e beber teu sangue
Olhos que querem profanar teu túmulo frio
Olhos que um dia gritaram desesperadamente que te amavam
Mas você estava ocupado demais pra ouvir

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

Me liberte

Me deixe ser livre.
Me deixe ir embora.
Me liberte.
Me liberte desse abraço protetor.
Me deixe respirar.
Me deixe andar só, solte a minha mão.
Me deixe cair.
Me deixe cicatrizar, não cure minhas feridas.
Me deixe perder o controle, pelo menos uma vez.
Me deixe chorar e queimar o meu diário.
Me deixe jogar tudo pro alto.
Me deixe pensar, Me falta espaço.
E acima de tudo me deixe ir pra CASA.
Eu cansei de brincar aqui.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

Cores sem cor

Enquanto isso continuo na minha caverna.
Atormentado pelo meus medos.
Que me seguem onde quer que eu vá.
É seguro sair agora?
É seguro sair para um mundo onde todos me são estranhos?
Onde não haverão beijos ou palavras gentis.
Apenas os tons acinzentados com os quais a vida real costuma ser pintada.
Apenas dor e sofrimento longe do meu porto-seguro.
Será que vou conseguir respirar aquele ar gélido e cruel?
Ou sobreviver ao excesso de razão e ao total abandono do coração?
Mesmo consumido por dúvidas.
Sei que um dia não terei mais a minha caverna segura.
e terei que enfrentar os meus medos.
Torcendo para que o cinza não tome conta da minha alma.
E me faça ser apenas mais um estranho num mundo coberto de estranhos acinzentados.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

Anjo do submundo.

Quantos já cairam na armadilha de amá-lo...
Ludibriados pelo seu belo rosto.
Quanto já sorveram o veneno que escorre dos seus lábios...
Encantados pela sua bela voz.
E quantos conheceram a perdição pelas suas mãos...
O anjo caído que não lembra mais de casa.
E que vaga pelo submundo buscando algo que nunca vai achar.
Que se alimenta do amor dos mortais.
E com um simples movimento os reduz a pó.
O caminhante solitário que cansou de vagar.
Condenado ao sofrimento eterno.
Conhecedor da dor e incapaz de amar.
Atormentando pela culpa,Refulgiando-se nos sonhos.
Então ele segue de vítima em vítima.
Buscando o que falta nele.
Mesmo sabendo que nunca vai achar.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

The blindfold

Quando eu era uma criança, Meus maiores medos eram os monstros do armário. Vendado pela minha inocência infantil, eu não conseguia ver a maldade do mundo que me cerca. Mas um dia essa venda foi arrancada dos meus olhos, e com grande choque contemplei a quantidade enorme de barbaridades que jamais imaginara, nem nos meus piores pesadelos.

Eu pude ver o demônio existente em cada uma das pessoas, pude ver os lobos travestidos de ovelhas e a hipocrisia oculta em palavras "gentis". Como num pesadelo interminável onde sesabe que não vamos acordar e que não adianta fechar os olhos. A realidade é que eu vivo num mundo horrível, onde corações inocentes são corrompidos, um mundo decadente que caminha para um fim próximo.

Os mais esperançosos (Ou idiotas) falam sobre o "Amor", uma espécie de sentimento quimérico que seria capaz de transformar tudo. Mas, até hoje, esse sentimento não apareceu talvez por que segundo alguns ele é cego. Por isso grito a plenos pulmões: Amor, se você realmente existe,apareça e nos salve antes que seja tarde demais.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

terça-feira, 27 de julho de 2010

A felicidade e o mundo atual.

Analisando a atual situação do mundo, vejo que a maior responsável por esse estado caótico é a busca pela felicidade.
Primeiro porque todos nós sabemos que felicidade plena não existe, temos provas irrefutáveis disso, mas mesmo assim continuamos insistindo que as verdades lógicas são mentiras, ou então, com um sorriso bobo no rosto tentamos nos convencer de que somos exceções e que coisas ruins nunca vão acontecer conosco.
Parte dessa felicidade “não plena” deve-se ao fato de que as pessoas estão sempre insatisfeitas com o que têm. Nada é bastante o suficiente, sempre queremos mais... Mais batatas fritas, mais dinheiro, mais mulheres... E sempre vamos encontrar pessoas que tenham mais dessas coisas do que nós, gerando a tão famosa sensação de que o gramado do vizinho é sempre mais verde, A inveja.
Esse sempre querer mais gera uma sensação de que algo está faltando, que as pessoas tentam suprir de todas as formas, Seja comprando coisas que não precisa (O consumismo), comendo exageradamente (A gula), tentando suprir a carência afetiva através do sexo desenfreado ou com inúmeros parceiros (A luxúria) ou acumulando riquezas sem curtir o que tanto trabalhou para juntar (Avareza).
Para algumas pessoas a única forma de aliviar a tensão causada por esse mundo caótico é descontar a raiva em alguma divindade ou nos mais fracos (Ira). Ou estão demasiadamente cansadas de esperar por algo (Ou alguém) que não vem, e acabam se entregando ao comodismo e a preguiça. Alguns perdem até a vontade de viver, aumentando ainda mais a taxa de suicídios. O que deixa parcialmente felizes os donos de funerárias (Parcialmente porque, para eles, as pessoas não morrem tanto quanto deveriam. O que é completamente mórbido)
A maioria procura espelhar-se em poucas pessoas que aparentam ser felizes, gerando nessas pessoas uma idéia, talvez errônea, de que são superiores. Ou talvez seja essa maioria que se torna pequena diante dos “gigantes modelos de vida”.
E cá estamos nós, buscando desesperadamente algo que ninguém nunca viu, que não conhecemos e que passamos a vida toda sem conhecer, talvez a gente conheça após a vida, mas sobre isso não posso afirmar nada.
Conclusão: Passamos muito tempo atrás da felicidade que nem nos damos conta dos minúsculos pedaços dela que encontramos durante a vida. Esses pedaços são os momentos felizes, momentos bons que marcam nossa vida de forma inimaginável e quando nos lembramos deles anos depois, conseguimos reviver um pouco daquela emoção. Dê mais valor aos momentos que passa com as pessoas que ama. Isso é o mais perto que nós, pobres mortais, vamos chegar da felicidade.

Le Trublion
(Cartas endereçadas a ninguém)

Le Trublion

Hey!
Esse blog foi criado com o intuíto de compartilhar os meus devaneios com meus amigos e todos os outros loucos espalhados por aí.
Bom... É isso... Espero que curtam ^ ^